Implantação de impressoras digitais em gráficas voltadas para os mercados promocional e editorial tem exigido uma atenção extra para o acabamento. Além de questões intrínsecas ao processo digital, como a aplicabilidade da laminação e do hot stamping, discute-se o investimento em equipamentos em linha e a terceirização de determinados serviços.

Na maratona diária pela produtividade e redução de custos, o gráfico que investiu ou está em vias de comprar uma impressora digital está cada vez mais atento à evolução dos sistemas de acabamento. Isso porque os ganhos obtidos na fase de impressão podem desaparecer ou serem ampliados, dependendo da forma como o produto é finalizado.

Em outubro, a TrendWatch Graphic Arts, empresa norte-americana especializada na realização de estudos e pesquisas, lançou o relatório The Digital Bindery: Still Gathering a Full Head of Steam (algo como a Encadernação Digital Ainda Permanece Nebulosa), que mostra algumas tendências para essa área.

De acordo com o estudo, 45% das gráficas digitais entrevistadas planejam adquirir encadernadoras e outros equipamentos de acabamento nos próximos 12 meses, contra 32% de intenção nas gráficas comerciais.
Para justificar tal investimento, 41% das gráficas digitais que pretendem incrementar suas áreas de pós-impressão afirmam que querem fazer com que as tecnologias já adquiridas sejam mais lucrativas; 37% disseram que desejam otimizar o fluxo de produção; e 31% citaram atualização tecnológica. Ou seja, a maior parte do mercado entende que as tecnologias de impressão digital podem ser mais rentáveis se o acabamento estiver condizente com a produtividade e as características técnicas desse novo processo.

Aqui no Brasil, na maioria das gráficas convencionais que adquiriram equipamentos digitais, a área de acabamento serve os dois processos impressão (offset e digital) sem problemas técnicos ou gargalos, segundo seus administradores. Já as gráficas digitais possuem uma pós-impressão simples, terceirizando o acabamento e beneficiamento dos produtos. Nesse momento, além de problemas técnicos, há a questão de tiragens: vários prestadores desse tipo de serviço recusam os trabalhos alegando que pequenas tiragens não compensam.

In Line ou Off Line?

Essa limitação, aliada à grande oferta de máquinas que prometem otimizar a produção e integrar operações produtivas, tem feito com que as gráficas se questionem quanto as vantagens de incrementar seus setores de pós-impressão. Surge, então, a pergunta: o que é ,mais vantajoso, sistemas em linha, acoplados à impressora, ou off line? Para vários empresários, a aquisição de linhas completas de produção só se justifica em nichos muito específicos, não se aplicando à grande maioria das gráficas brasileiras.

Rizkallah Elia Ayde, diretor técnico e de produção da gráfica People e coordenador do Digitec (Grupo Técnico de Impressoras Digitais da ABTG), é um dos partidários dessa linha. “Os equipamentos in line só são vantajosos para as empresas que atendem serviços que exijam alto grau de produtividade e rapidez na entrega. No caso da People, adotar esse conceito significaria perder produção para fazer ao certo do acabamento. Como aqui é tudo off line, usamos as folhas impressas com defeito para fazer o acerto.” A People dispõe de impressoras planas digitais, máquinas offset e uma encadernadora hot melt. “Esse equipamento atende a toda nossa produção. Se fosse in line, perderíamos tempo e dinheiro, desacoplando ou desligando a encadernadora várias vezes ao dia.”

No caso da People, pesa contra a solução em linha o mis diversificado de produtos, que engloba apostilas e livros com divisórias e capas diferenciadas. Além disso, Rizkallah completa que para comportar equipamentos in line, o layout da gráfica teria que ser outro, o que causaria um grande transtorno de espaço e logística interna.

Com relação ao beneficiamento dos impressos produzidos com tecnologia digital, a People encontra alguns problemas de registro no corte-e-vinco e hot stamping. “Os equipamentos digitais não têm a mesma precisão das máquinas offset. Essa deficiência nos causa perda de produtividade.” A boa notícia é que as novas gerações de impressoras prometem variação de 0,5mm no registro, o que torna o impresso digital muito mais consistente.

Outra gráfica que não optou pelo sistema em linha é a RWA. E Reinaldo Spinosa, sócio-diretor da empresa, diz que não há planos nesse sentido. “Nosso segmento é promocional. A diversidade no acabamento dos impressos que produzimos é tão grande que não há como ter o acabamento acoplado à impressora. Isso sem contar o fato de que terceirizamos muita coisa.”

A RWA possui acabamento próprio em quase todas as operações, à exceção de alguns recursos como o verniz UV. Segundo Reinaldo, a finalização dos processos digitais tem sido facilitada pela tecnologia embutida no equipamento adquirido empresa, que não usa furor para a aderência do toner ao papel. “A iGen3 utiliza silicone permitindo que os impressos sejam laminados ou recebam verniz UV com facilidade.” No quesito registro, Reinaldo também está satisfeito com a impressora da Xerox. “Não tivemos nenhum problema de produção decorrente da falta de registro”, lembrando que esse tipo de dificuldade pode ocorrer em equipamentos de gerações anteriores.

A produção digital de livros da gráfica Bandeirantes, bastante diferenciada em suas operações, não possui equipamentos em linha. Segundo o diretor comercial on demand da gráfica, Clineu Stefani, os livros são acabados com dobra, costura e hot melt. “Imprimimos lâminas de quatro páginas ou cadernos de sete a nove lâminas no processo digital e, então, alceamos, dobramos o miolo e colocamos a capa com hot melt.” Apesar do processo ficar mais caro, o diretor afirma que o uso conjugado da costura e do hot melt aumenta a durabilidade do livro.

Tiragem X Volume

Clineu engrossa a fila dos que acreditam que a solução in line só deve ser adotada em casos muito específicos. Além disso, ele defende uma análise profunda dos negócios no momento da aquisição desses sistemas, delineando exatamente a diferença entre demanda e volume de impressão. “A impressão digital atende tanto a curtas tiragens de produtos de grande volume quanta a altas tiragens de peças de pequeno volume. O acabamento é o custo fixo e o número de páginas o variável. Assim, dependendo do tipo de mercado que se deseja atender, o acabamento em linha pode ser muito vantajoso.”

Além da aplicação da costura nos livros impressos com tecnologia digital, Clineu revela que a Bandeirantes climatiza as folhas antes do acabamento. “A impressão digital tira a umidade do papel. Se a lombada do livro é realizada na saída da impressão, as páginas do livro podem encanoar. Esse é outro motivo pelo qual não temos equipamentos in line.”

Flávio Tomaz Medeiros, sócio-diretor da Fast Print, já vê os resultados dos recentes avanços tecnológicos nos equipamentos de impressão digital. “Fizemos recentemente alguns testes na Radial Tecnograf com uma Laminadora BOPP e os resultados foram satisfatórios, tanto na laminação fosca quanto brilhante.” Flávio comenta que provavelmente a empresa venha a adquirir uma laminadora, pois, assim como a People, ele também enfrenta dificuldades em terceirizar esse tipo de serviço quando as tiragens são pequenas.

Ao que parece, o acabamento em linha é um investimento delicado e deve ser feito após uma cuidadosa análise mercadológica. Que tipo de mercado se pretende atingir, qual é o principal produto, quais são os custos envolvidos e o tempo de acerto da máquina são informações fundamentais a serem estudadas antes da tomada de decisão. Ter a possibilidade de flexibilizar recursos produtivos de forma rápida dentro da fábrica parece ser o ponto-chave para os profissionais entrevistados.

Equipamentos

Por outro lado, pensando cada vez mais na integração dos processos produtivos e da otimização do workflow, os fornecedores de equipamentos de acabamento oferecem uma série de soluções modulares. Elas podem ser acopladas entre si e à diversas impressoras digitais existentes no mercado, formando assim o fluxo de impressão digital e acabamento in line.

A IPP, por exemplo, traz os sistemas da série DBM da Duplo. Focados nas impressoras Océ e Xerox, eles incluem grampo, dobra e refile para a confecção de revistas e a chamada solução near line, que faz grampo, dobra e refile e possui leitores de códigos de barras ou marcas para a produção de revistas com dados variáveis, bem como refile e vinco para as capas.

Como solução híbrida, a Duplo dispõe da tecnologia Duetto, que combina impressão offset e digital. O equipamento tem torres de alceamento por sucção e um alimentador folha a folha e leitor de código de barras ou marcas, além das operações de grampo, dobra e refile. Esse equipamento produz revistas tanto jogo a jogo quanto folha a folha.

Já a guilhotina inteligente da Duplo possui as funções de corte, refile e vincos simultâneos, com alimentação por sucção. Armazena na memória as operações de 80 trabalhos e permite a leitura de trabalhos pré-programados, fazendo o reconhecimento da marca de registro para a correção da variação das imagens impressas em máquinas digitais.
Para plantas off line, a Duplo possui encadernadoras hot melt para lombada quadrada com velocidade de até 200 livros por hora, dirigida aos trabalhos de pequenas e médias tiragens, com leitor de código de barras ou marcas posicionando na alimentação de capas e no dispositivo de colocação do miolo.

A Müller Martini apresenta como solução em linha a encadernadora de lombada quadrada AmigoDigital, projetada para operar altos volumes, mesmo com tiragens pequenas e médias. Esse equipamento possui um sistema de controle que possibilita a transferência automática do formato e dos dados de produção vindos do sistema de produção digital ou de uma estação de medição. Segundo o fabricante, os acertos da máquina podem sofrer o ajuste fino mesmo com a máquina em operação. A encadernadora faz vinco de até quatro linhas na capa.

Outra solução integrada para a produção de livros da Müller Martini é a SigmaLine, que atende a pequenas tiragens. Os dados da pré-impressão são continuamente processados na impressora digital. A banda é impressa em ambos os lados, cortada em folhas em linha, dobrada e acabada em uma encadernadora de lombada quadrada ou em uma grampeadeira integrada. As informações de pré-impressão são usadas para a preparação automática da linha inteira. Além disso, é possível dobrar cadernos de até oito páginas para a alceadeira-grampeadeira ou de até 16 páginas para a encadernadora de lombada quadrada.

Já a IDS Sistemas oferece encadernadoras Fastbind para pequenos e médios volumes e que possuem dois recursos diferenciados. O PGO é um dispositivo de corte que substitui a fresa convencional ao gerar microcortes na área de lombada e separar uma folha da outra, permitindo maior penetração da cola. O segundo diferencial é a aplicação da cola de cima para baixo. Os equipamentos modulares da empresa podem ser acoplados entre si e na impressora digital.

A BDAgraf fornece, para sistemas off line, a BST-10 da CP Bourg, uma máquina automática que realiza grampo e corte de revistas e livros com dobra e alceamento por duas torres, com velocidade de até 9.800 jogos por hora. Possui 10 programas variáveis e o projeto modular das torres resulta em até 50 estações por sistema de torre. O sistema BDF CP Bourg conta com todas as funções de grampo, dobre e refile e pode ser acoplado às torres intercaladoras ou ainda a alguns modelos de copiadoras digitais, ou seja, opera tanto em linha quanto off line.

A encadernadora BB3002 CP Bourg possui apenas uma mesa de prensagem e tem capacidade para livros com abas. Possui coletores de resíduos, faz o vinco da capa in line e possui dispositivo opcional para aplicação de PUR. A BDAgraf oferece, ainda, a BPRF CO Bourg, sistema de perfuração, rotação e dobra, para encadernar livros A5, e encadernadora BB2005, com sistema de regulagem automática de velocidade que compensa a espessura do livro e elimina gotas de cola nas pontas da lombada; e o sistema de corte trilateral, que pode ser usado em linha com encadernadoras ou off line através de alimentação manual.

Para o acabamento dos impressos digitais, a Radial Tecnograf apresenta as encadernadoras off line Baby Binder e Mini Binder, que atendem médias e pequenas tiragens, respectivamente. Ambas com sistema hot melt, a Baby Binder produz até 600 livros por hora, enquanto a Mini Binder produz 200 livros por hora.

Fonte: http://www.abtg.org.br

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Adoro produção gráfica, nasci brincando em gráfica e descidi compartilhar essas coisas, existem tantas coisas tontas que mostram a vida de todo mundo, e porque não mostrar meus gostos?

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