(1956)

Internacionalmente considerado um dos designers gráficos mais influentes dos anos de 1990. O trabalho gráfico deste norte-americano é o mais copiado pelos jovens designers, aspirantes a vanguardistas.


David Carson é um designer gráfico norte americano, conhecido pelo seu trabalho inovador em design de revistas. Foi diretor de arte da revista Ray Gun. Sem recorrer à estética mais intelectual e refinada que caracteriza Neville Brody, o ex-surfista Carson aposta no facilismo relaxado de quem não tem nada a perder e tudo a ganhar. O seu modo despreocupado de lidar com tipografia e com arranjos gráficos impacta à primeira vista – para logo entediar à segunda. Os esquemas de David Carson são repetitivos e pouco originais. No fim dos anos 70, quando Carson dividia seu tempo entre a atividade como docente de sociologia e o surfing. Um workshop de duas semanas introduziu-o ao design gráfico. Tão simples como isso. O estilo pelo qual o californiano optou é, de certo modo, uma releitura do estilo Merz de Schwitters.

Transworld Skateboarding

Em 1983, David Carson foi para a revista Transworld Skateboarding para trabalhar como diretor de arte. A revista trouxe experimentações em layout e tipografia que quase dissociavam o conteúdo editorial do projeto gráfico, tamanho o caos que reinava nas edições. Após a experiência da Transworld e de ter participado de outros projetos de menor porte, em 1990 chefiou o desenvolvimento das páginas da revista de lifestyle e música Beach Culture. Considerada o ápice criativo de Carson, a revista foi extinta em sua sexta edição, recebendo mais de 150 prêmios de design gráfico no mundo inteiro. O estrondoso sucesso da Beach Culture fez com que o designer privilegiasse a não imposição de qualquer tipo de grid, além da liberdade de criação: foi aí que Marvin Scott Jarrel cruzou seu caminho e, juntos, conceberam o que se tornaria a hecatombe do design em escala comercial.

A RayGun trazia conteúdo musical. Uma das máximas de Carson na execução de seu trabalho: A intuição é instrumento da invenção. David Carson conta que, enquanto trabalhava na revista, não imaginava que mudaria as concepções de design gráfico em tão larga escala. Nunca pensei nisso ou percebi algo do género. O processo de criação era tão rápido e absorvia-me tanto, que eu só pensava em fazê-lo aproveitando o máximo, experimentando, divertindo-me.

Uma das derivações desse ciclo de produção foi uma empresa de fontes para atender à demanda tipográfica das páginas da RayGun, a Garage Fonts, que hoje exerce atividades independentes da revista, da qual o designer se desligou em 1996. A essa altura, o californiano já havia adquirido status de estrela no mundo do design gráfico, assim como seus contemporâneos Neville Brody e Rudy Vanderlans.

Caciques do mundo capitalista como Coca-Cola, Nike, AmEx, Citibank, etc, tiveram reformuladas por ele suas identidades visuais, publicidade impressa e comerciais. Nos seus trabalhos para empresas ou nas páginas de revistas como a porto-riquenha Surf in Rico e a brasileira Trip, Carson recorre a um mosaico de inspiração que inclui música, grafite, pichações, a vida praiana e as suas inúmeras viagens. Para ser bom designer, no entanto, não é necessário rodar o mundo, mas ter no mínimo variadas experiências de vida.

A referência ao sortimento de situações pelas quais já passou é marcante em seu trabalho. Além das viagens, que oferecem o prazer de conhecer novas culturas e de estar em contato com climas propícios à criação a prática do surf e sua energia são drenadas para seu design.

Carson não se sente atraído pelo web design. Acho que, em relação ao design gráfico, o webdesign perde muito de sua força, fica confuso, não segue uma direção muito clara. Além disso, perde-se uma considerável energia no processo, conduzido por softwares mal resolvidos, que coíbem a liberdade de implementar elementos na página, por conta de caixas invisíveis!,

No estúdio de Nova York, onde trabalha com outras duas pessoas, o designer atende ao telefone, negocia e centraliza as decisões. Esses são alguns dos motivos pelos quais Carson justifica sua falta de tempo para se dedicar ao desenvolvimento de projetos para a Internet. O designer lembra que há três anos fez o site da MGM Studios, mas que o saldo da experiência não foi dos melhores. Foi frustrante, lento e restritivo. Além disso, defendo o uso de gráficos interativos, vídeo, filmes, que só agora são viáveis, com a vinda de melhores recursos, como a banda larga e streaming.

Mas essas novidades não parecem muito atrativas. Quando questionado se não tem receio de perder espaço no mercado devido ao crescimento da Internet – onde, segundo ele próprio, tudo está baseado – Carson dá de ombros.

Não vou fazer webdesign porque todos fazem, isso não me dá prazer. Só navego para ver um site específico, e não entendo como as pessoas podem ficar em frente a uma tela procurando por nada! Eu não posso me dar a esse luxo, nem tenho paciência. percalços e influência

Um grande opositor de David Carson no design foi Paul Rand. Rand chegou a cortar relações com um amigo que convidou Carson para uma conferência. Para mim, essas provocações nunca fizeram grande diferença. Os contemporâneos de Rand, modernistas, ou seja lá o que for, proclamam o uso de grids e sistemas para obter um design de boa qualidade, uniforme. Para eles, eu sou o que jogou tudo isso fora, dizem que meu trabalho não transmite nada. Mas se causou raiva neles, já é um bom começo, diz, entre risadas. Fiz o que tive vontade e tenho prazer no que faço, até hoje.

Para Cecília Consolo, que organizou as apresentações internacionais na Bienal de Design Gráfico, o momento é de reflexão. Considerar novas possibilidades e linguagens é essencial para que o trabalho não fique estagnado. Carson é uma figura emblemática do design, quer gostemos do trabalho dele ou não. Ele rompeu com o processo suíço, trazendo uma nova forma de pensar para o design e isso é inquestionável.

O designer-surfista acha difícil que aconteça um segundo “boom” no design, como o que ele mesmo detonou, há vinte anos. Atribui à globalização e o surgimento de novas mídias uma quase impossibilidade de não repetir o que já foi feito no meio impresso. É esse o tema de um dos seus livros, The End of Print, cujo título foitirado de uma conversa com Neville Brody.

Leia mais em tipografos.net

Veja alguns de seus trabalhos

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Adoro produção gráfica, nasci brincando em gráfica e descidi compartilhar essas coisas, existem tantas coisas tontas que mostram a vida de todo mundo, e porque não mostrar meus gostos?

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