Raquel Grisotto, de EXAME PME

Sinval Silva, da gráfica SJS: Com margens pequenas de lucro, o Simples deixou de ser a melhor escolha.

Muitos donos de pequenas e médias empresas em crescimento ficam em dúvida sobre qual o melhor momento de abandonar o regime tributário do Simples Nacional – ou Supersimples, como também é conhecido – e passar a recolher os impostos com base no lucro real ou no presumido. A incerteza é mais comum nas empresas cujas receitas se aproximam de 2 milhões de reais ao ano. “Quanto maior o faturamento, mais altas são as alíquotas e menos atrativas parecem ser as vantagens do Simples”, diz Júlio Perez, consultor do Conselho Regional de Contabilidade do Estado de São Paulo. Um dos pontos a favor do Simples é a menor burocracia proporcionada pela unificação de seis impostos federais, um estadual e um municipal num só tributo, calculado sobre o faturamento, que pode ser de até 2,4 milhões de reais ao ano. Veja quais são, segundo especialistas ouvidos por EXAME PME, cinco situações em que a permanência no Simples pode não compensar.

1 – Poucos funcionários

Empresas em que os custos com mão de obra representam menos de 20% do faturamento dificilmente terão vantagem em permanecer no Simples. Isso acontece por causa da forma de calcular a contribuição ao INSS em cada um dos regimes. Quando a empresa paga impostos com base no lucro real ou no presumido, o INSS é cobrado conforme um percentual da folha de pagamentos. No Simples, o INSS está embutido na alíquota única que incide sobre as receitas. “Empresas com poucos funcionários e inscritas no Simples podem recolher à Previdência Social uma contribuição maior do que se optassem por outro regime”, diz o advogado tributarista Pedro Avvad. O Simples pode ser ainda menos vantajoso para prestadores de certos serviços, como academias de ginástica e laboratórios de análises clínicas. Nesses casos, o percentual a ser pago é inversamente proporcional ao total de funcionários – ou seja, quanto menor a folha de pagamentos, maior o imposto recolhido. “Para essas atividades, só vale a pena continuar no Simples se a folha de pagamentos consome mais da metade das receitas”, afirma Avvad.

2 – Margem pequena

Negócios com margens reduzidas podem pagar menos impostos ao optar pela declaração com base no lucro real. As alíquotas do Simples incidem sobre o faturamento, sem considerar a rentabilidade. Segundo o consultor financeiro Márcio Iavelberg, da Blue Numbers, a troca do Simples pelo cálculo sobre o lucro real pode ser vantajosa para estabelecimentos comerciais com lucro abaixo de 8% das receitas ou para prestadores de serviço com esse percentual menor que 12%. O empreendedor Sinval Silva, de 53 anos, dono da gráfica SJS, de São Paulo, fez as contas e pensa em, no próximo ano, abandonar o Simples. Em 2009, a SJS faturou 1,2 milhão de reais, quase o dobro de 2007. Segundo Silva, os custos também subiram e o lucro permanece praticamente o mesmo de três anos atrás. “Posso pagar menos impostos se optar pelo lucro real”, diz.

3 – Benefícios fiscais

Empresas adeptas do Simples não podem aproveitar outras isenções fiscais – há cidades que não cobram ISS e estados que dão descontos de ICMS para determinados setores. “Dependendo de onde a empresa estiver, os descontos em alguns impostos são maiores que a economia gerada pelo Simples”, diz Iavelberg. Para saber quando os benefícios compensam, é preciso fazer as contas a cada ano. “Há alterações nos incentivos fiscais o tempo todo”, diz o advogado Raul Haidar, especializado em direito tributário.

4 – Grandes clientes

Muitas grandes companhias evitam fazer negócios com pequenas empresas inscritas no Simples. Isso porque, quando um grande varejista paga o ICMS pela venda de um produto, ele pode descontar do valor o ICMS já recolhido pelo fornecedor da mercadoria – são os chamados créditos tributários. No caso do Simples, o ICMS embutido na alíquota única é reduzido – paga-se entre 1,25% e 3,95%, ante os 18% dos regimes tradicionais. Quando esse mesmo varejista compra de uma empresa que está inscrita no Simples, o crédito tributário que poderá ser descontado depois é, portanto, muito pequeno. “Grandes varejistas dão muita importância à possibilidade de abater os impostos que foram pagos pelos seus fornecedores”, afirma Sandra Fiorentini, consultora do Sebrae de São Paulo. “Por isso, os varejistas ou outros negócios de grande porte tendem a preferir, como fornecedor, empresas que não estão no regime simplificado, para poder ter descontos maiores.”

5 – Operação confusa

Para não perder as vantagens do Simples, alguns empreendedores preferem dividir seus negócios em muitas empresas pequenas para não ultrapassar os limites de faturamento anual. “A operação fica mais complicada e nem sempre há uma economia real nos impostos”, diz Avvad. Certa vez, ele teve como cliente o dono de uma rede de varejo de roupas femininas que mantinha um CNPJ diferente para cada loja e, ainda, outro para a fábrica. Para manter as inscrições no Simples, era preciso ter sócios diferentes em cada razão social, o que o obrigou a abrir as empresas no nome da mulher, da sogra e dos primos. “Era muita confusão societária por causa de um imposto”, diz Avvad.

Fonte: portalexame.abril.com.br

About arianepadilha.com

Adoro produção gráfica, nasci brincando em gráfica e descidi compartilhar essas coisas, existem tantas coisas tontas que mostram a vida de todo mundo, e porque não mostrar meus gostos?

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s