Alexandre e Marcus Hadade, donos da gráfica Arizona

Além da impressão

Investimentos em tecnologia de ponta transformam pequena indústria em agência gráfica, qualificada para pensar soluções

Antes de os irmãos Marcus e Alexandre Hadade assumirem a Gráfica Arizona, localizada na cidade de São Paulo, ela contava com seis funcionários e estava focada em impressos comerciais de uma e duas cores. Corria o ano de 1998 e a empresa não utilizava computadores ou qualquer controle de processo. Era um departamento da empresa da minha família e não tinha grandes ambições, conta Alexandre Hadade.

A transição de uma gráfica de apoio da Cineral Eletrônica da Amazônia, da família Hadade, para uma das mais qualificadas agências gráficas do mercado brasileiro veio em pouco tempo. Alexandre se formou em administração, fez especialização em finanças e trabalhou por quatro anos na Cineral em diversos departamentos. Com 24 anos de idade, ingressei na Arizona apenas para prestar uma consultoria administrativa, mas me apaixonei e estou aqui até hoje, conta.

E foi a paixão pelo trabalho que levou os irmãos a investir em tecnologias ainda inexistentes no Brasil e descobrir novos nichos de mercado. Nós quisemos inovar, explica Marcus Hadade, que entrou na Arizona com 26 anos. Como não havíamos trabalhado nessa área antes, não tínhamos paradigmas a seguir. Em oito anos, a empresa cresceu 35 vezes e ganhou outros objetivos. Nós queremos ser a melhor gráfica do país, enfatiza Marcus.

O primeiro ponto identificado pelos empresários foi um segmento do mercado que eles na época consideravam mal ou pouco atendidomateriais promocionais de baixa tiragem, mas com impressão sofisticada e de alta qualidade. Por isso, a Arizona decidiu investir em tecnologia e capacitação de funcionários. Resolveram centrar-se na faixa das tiragens pequenas e médias, mas para clientes grandes. Entre eles estão agências de publicidade, como Lew’Lara e Africa, e empresas como Renault, NET e Mitsubishi.

Três frentes

A grande virada foi ir além da impressão. Hoje, a Arizona é composta por três unidades: a de premedia, a gráfica e a de tecnologia e projetos. A premedia, de maior destaque, é responsável pela análise técnica, tratamento de imagem, retoque e finalização de arquivos antes da impressão, além de cuidar do encaminhamento para as gráficas – atualmente, a unidade gráfica da Arizona recebe apenas 1% do material que passa pela unidade de premedia da empresa.

Em 2003, foi criada a unidade de desenvolvimento tecnológico, que já alça vôos altos. Em parceria com a Ecalc Software, a Arizona criou e aperfeiçoa até hoje uma plataforma de soluções digitais que inclui um sistema único de catalogação, disponibilização e envio de arquivos, tudo via internet, denominado Visto.

O sistema não facilitou só o trabalho de premedia, ele permitiu que muitas coisas, antes impraticáveis, fossem realizadas, conta Guilherme Porto Bruno, diretor da Ecalc. O Visto armazena todos os arquivos enviados pelos clientes e trabalhados pela Arizona, de forma customizada. Os clientes podem, com bastante agilidade, ter acesso imediato ao trabalho da premedia, fazer download de conteúdos e imagens e até pedir e realizar alterações.

A idéia é queimar etapas. Em três minutos, um arquivo pode ser fechado. O sistema checa automaticamente se não há imagens em RGB, problema de fonte ou com a resolução das imagens, texto fora da área de impressão e uma série de itens técnicos, explica Porto Bruno. Em seguida, o material é disponibilizado para o cliente, em forma de prova remota, que pode ser visualizada no seu computador – a Arizona recomenda que o cliente compre um monitor japonês da marca Eizo para garantir a fidelidade de cores.

O arquivo aprovado é enviado diretamente à gráfica escolhida pelo cliente. Segundo Marcus, esse processo costumava demorar de três a quatro horas, no mínimo, e exigia muito mais a interferência humana, com mais chances de alguma coisa falhar. Agora o erro é zero, diz.

Cores certas

Aí entra outro diferencial da Arizona. O arquivo que sai da pré-impressão em forma de PDF ‘rasterizado’ (transformado em uma imagem – um tipo de arquivo muito usado atualmente) vai para a gráfica de maneira simplificada e adaptado às condições das máquinas em que será impresso. Entramos em contato com as gráficas, como a Globo Cochrane, a do Estadão e da Editora Abril, e geramos o perfil de cores de cada uma. Agora, se meu cliente passa um anúncio, eu mostro como ele vai ficar em diferentes mídias, explica Marcus.

O gerenciamento de cores permite que a prova seja fiel ao resultado final. Eles foram os primeiros a conseguir resolver o problema de produtos com cores erradas, diz Walmir Graciano, produtor gráfico da Editora Trip, que faz, entre outras, as revistas da loja Daslu e da Natura Cosméticos. Nenhuma outra empresa de pré-impressão se preocupava com perfil das máquinas, temperatura de luz, tinta ou papel. Os ajustes iam no olho do impressor, completa Graciano.

Para o diretor industrial da Globo Cochrane Gráfica e Editora, Rodney Paloni Casadei, esse trabalho de ajustes é feito continuamente. Se, por um lado, a gráfica não substitui seus fornecedores de insumos durante longo tempo, por outro, o cliente muda constantemente o tipo de papel utilizado e isto requer a geração de novos perfis. A grande vantagem de trabalhar com a Arizona é que não temos surpresas, pois o processo é totalmente estável, diz Casadei.

Nossa empresa lida com beleza e estética e a fidelidade de cores e qualidade das imagens da revista-catálogo são ferramentas de vendas, diz Marcelo Soderi, gerente de comunicação da Natura. A Revista Natura utiliza papel reciclado, que é mais passível de apresentar variação de qualidade. Por isso, o processo deve ser muito cuidadoso e, ao mesmo tempo, rápido, já que são apenas três semanas entre uma edição e outra. A Arizona faz com muita competência a sua parte, mas o importante é que todas as pontas estejam alinhadas: nós, a Arizona, a Trip e a gráfica, ressalta Soderi.

Parcerias

Para garantir as melhores condições de impressão na Gráfica Arizona, foi criado o Projeto Soma, que reúne fornecedores de equipamentos, matéria-prima e serviços especializados. O objetivo é padronizar os itens importantes para a impressão. Quanto melhor a matéria-prima, mais cara ela é, e não temos demanda de grande volume para justificar um preço bom, explica Marcus Hadade, que ofereceu a empresários, em troca de boas condições para aquisição de produtos, uma ferramenta de marketing e vendas. Dissemos a eles: se você quer mostrar que suas máquinas, tintas ou papéis etc. são os melhores, traga o cliente aqui na Arizona, que está equipada para oferecer os melhores serviços e demonstrações’, e isto funcionou.

Fábio Baiadori, diretor-administrativo da Böttcher, empresa produtora de rolos e blanquetas para impressão offset, diz que as tecnologias de ponta utilizadas na Europa e que aqui no Brasil só as gráficas multinacionais tinham acesso agora são oferecidas por nós à Arizona e outras gráficas parceiras. A Böttcher também oferece treinamento a empresas do setor gráfico. A Arizona é uma gráfica diferente, porque está disposta a parar o funcionamento para treinar seu pessoal, afirma Baiadori.

Uma das maiores dificuldades sentidas por Marcus e Alexandre Hadade foi encontrar profissionais qualificados, e, mais que isso, profissionais com cultura de mudança. Exigimos muito dos nossos colaboradores e procuramos nunca deixá-los na ‘zona de conforto’ do trabalho repetitivo, diz Alexandre. Segundo seu irmão Marcus, hoje em dia temos a possibilidade de capacitar o pessoal para novas tecnologias com o suporte dos fabricantes e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai).

Os irmãos também foram buscar conhecimento com outros empresários, não só do setor gráfico. Marcus participa de movimentos empresariais há 12 anos e foi presidente da Confederação Nacional de Jovens Empresários (Conaje), entre 2003 e 2005. Segundo ele, a gestão tinha três vertentes: representatividade perante os poderes públicos e privados, treinamento e construção de network. Todos os meses, empresários tarimbados como Antônio Ermírio de Moraes levam suas experiências aos jovens. Sem dúvida, tudo isso influenciou a forma de administrar a Arizona, diz ele.

O empenho de Marcus e Alexandre Hadade foi reconhecido com o destaque do ano do Prêmio Empreendedores do Novo Brasil 2006 promovido pelo Instituto Empreender Endeavor e pela revista Você S/A, da Editora Abril.

Uma das marcas da administração na Arizona, ressaltam os irmãos Hadade, são os princípios e valores adotados, como ética e confiança. Alexandre resume a estratégia da empresa em poucas palavras: pesquisa de mercado, foco na qualidade dos produtos e serviços, muito trabalho e muito amor.

Fonte: http://portaldacomunicacao.uol.com.br

About arianepadilha.com

Adoro produção gráfica, nasci brincando em gráfica e descidi compartilhar essas coisas, existem tantas coisas tontas que mostram a vida de todo mundo, e porque não mostrar meus gostos?

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