Forminform foi criado em 1958, em São Paulo, pelos artistas Geraldo de Barros e Ruben Martins, em parceria com o administrador e publicitário Walter Macedo. Em seguida, Alexandre Wollner, recém-chegado de Ulm, Alemanha, depois de ter estudado na Hochschule für Gestaltung – HfG [Escola Superior da Forma], associa-se ao grupo. Em 1959, o desenhista industrial alemão Karl Heinz Bergmiller, ex-colega de Wollner na escola de Ulm, passa a trabalhar no Forminform após transferir-se para a capital paulista, atraído pelo plano econômico desenvolvimentista do presidente do Brasil, Juscelino Kubitschek. O escritório contou também com a colaboração do designer Ludovico Martino, do poeta Décio Pignatari e do fotógrafo German Lorca, entre outros profissionais.

No segundo pós-guerra, pela primeira vez na história do Brasil, os lucros da produção industrial superam os da economia agrícola. Eleito em 1956, Juscelino Kubitschek lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento, conhecido como Plano de Metas, cujo lema era fazer o país crescer “Cinqüenta anos em cinco”. Os pontos principais do programa de governo foram o estímulo à expansão industrial – com destaque para o setor de base – e a construção da nova capital federal, Brasília, que pretendia estimular o desenvolvimento econômico e urbano no interior do país. Nessa época, associada à abertura da economia ao capital estrangeiro, à implantação da indústria automobilística em São Paulo e à construção de estradas e hidrelétricas, a produção industrial cresceu cerca de 80%.

Ainda assim, no fim dos anos 1950, não havia uma cultura empresarial voltada para investimentos na área de criação de produtos no Brasil, pois praticamente toda produção nacional foi adaptada de modelos internacionais. Apesar do engajamento de artistas e intelectuais no sentido de aproximar arte e indústria, como foi a criação do curso de desenho industrial do Instituto de Arte Contemporânea – IAC do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand – Masp, o trabalho do desenhista industrial era pouco conhecido. As logomarcas eram elaboradas por artistas plásticos e arquitetos, sendo aplicadas quase que exclusivamente em cartazes e anúncios publicitários.

Além de se beneficiar do projeto nacional desenvolvimentista, o Forminform atuou no sentido de esclarecer o meio empresarial brasileiro a respeito da atividade profissional do desenhista industrial. O escritório promovia palestras em que explicava aos clientes sua metodologia de trabalho e seu ponto de vista em prol de uma estética funcionalista, na qual a forma do produto deveria adequar-se a sua função. Em conferências, bem como em circulares distribuídas aos clientes, os sócios do Forminform combatiam o adorno e o estilo decorativo. Num dos folhetos de divulgação, cujo texto se assemelha a um manifesto, declaram:

“O bom objeto deve expulsar o mau objeto do mercado. […] Criamos objetos que o homem precisa e pode usar. Nós entendemos o ornamento e toda arte de adição decorativa como diminuição da capacidade do objeto e de sua qualidade estética”.

Nos primeiros dois anos de atividade, o escritório reúniu artistas voltados para os ideais da arte construtiva, vertente modernista surgida nas primeiras décadas do século XX na Rússia, Holanda e Alemanha. Na década de 1950, Barros e Wollner integram o movimento de arte concreta em São Paulo. Barros também como desenhista da fábrica de móveis Unilabor.

A Escola Superior da Forma, de Ulm foi a instituição responsável pela revitalização do projeto pedagógico da Bauhaus após o fim da Segunda Guerra Mundial, 1939-1945. Apesar das diferenças entre as duas escolas, ambas consideram o desenho industrial como um ramo da arquitetura, sendo o designer visto como um profissional responsável pela qualidade estética dos objetos do cotidiano. Sua atuação era tida como uma possibilidade de socialização da arte, pois elaborava objetos que eram reproduzidos em série. O escritório Forminform foi a primeira oportunidade de Wollner e Bergmiller aplicarem os ensinamentos da Escola Superior da Forma no Brasil, sobretudo a noção de design como uma atividade voltada para a criação de produtos e não apenas para meios visuais. Além disso, a escola alemã privilegiava projetos de signos visuais que dispensavam o nome do produto, procedimento inaugurado pelo Forminform no Brasil. Os projetos do escritório caracterizam-se pelas formas simplificadas e pela austeridade. O Forminform desenvolve logomarcas, embalagens e anúncios para a indústria de pescados Sardinhas Coqueiros, a empresa de elevadores Atlas, a indústria de embalagens Ibesa e para a tecelagem Argos. Realiza ainda a reforma gráfica do jornal carioca Correio da Manhã, entre outros trabalhos.

Segundo depoimento de Wollner, o escritório volta-se gradativamente para a área da publicidade, o que ocasiona, no fim de 1959, seu afastamento e de Barros.

O Forminform manteve suas atividades durante a década de 1960, dissolvendo-se em 1968, após a morte de Ruben Martins.

Fonte: http://www.itaucultural.org.br

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Adoro produção gráfica, nasci brincando em gráfica e descidi compartilhar essas coisas, existem tantas coisas tontas que mostram a vida de todo mundo, e porque não mostrar meus gostos?

2 responses »

  1. […] com Geraldo de Barros, Rubem Martins e Walter Macedo, o primeiro escritório de design do país: o FormInform – responsável pelos primeiros programas de identidade visual de empresas […]

    • Aos meus treze anos de idade tive o privilégio de poder estagiar
      neste pioneiro estúdio de design, que para mim foi e continua sendo a referência maior, até os dias de hoje, de como o sentido estético o senso de sintese visual e o alcance da solução plástica obtida são fundamentais para a perenidade da vida dos signos e logomarcas. Foi na Forminform que surgiu o design da marca Bozzano, Braspérola, Casa Almeida e daqueles que apesar de prontos e resolvidos não surgiram como o da Willys Overland,por ter sido adquirida pela Ford. Como adolecente tive a oportunidade de poder ter presenciado ainda no âmago do estúdio estes formidáveis eventos. Bons tempos, grandes cabeças, fantásticas soluções.

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